“Embora estejamos em século novo, mais que ano 2000, tecnologia avançada e globalização, ainda temos e muito uma cultura machista”
Selma Almeida
Nesta semana, casos de violência doméstica apareceram por mais tempo na mídia. Os jornais de repercussão nacional divulgaram a morte de uma procuradora à facadas. O autor do crime seria o ex-marido. Ele aconteceu na casa do casal, um condomínio de luxo em Belo Horizonte, e quase na frente de dois filhos do casal, que não viram porque a babá se prendeu com eles no banheiro, com medo e por segurança.
Quase ao mesmo tempo, em outro crime, protagonizado também por um marido violento, uma mulher morreu em Caraguatatuba, ao proteger uma vítima de espancamento. Estes foram apenas dois de inúmeros casos que acontecem diariamente por este mundo. E é o típico do crime que independe de classe social, financeira e até de policiamento de rua, já que acontece dentro de casa.
Eles demonstram uma realidade triste. Que talvez a Lei Maria da Penha, embora tenha sido um ganho, já que o caso era tratado com menor gravidade, ainda não é o suficiente para proteger a mulher. Quando se trata de um homem violento, não será uma lei ou nada que vá impedir a agressão.
Mas como podemos reduzir ou mesmo que minimizar casos em que acabam em tal tragédia? Uma coisa é clara, os criminosos/maridos/amantes/namorados são pessoas com desvios de comportamento e até de educação. Então como resolver a questão? Acredito que o primeiro passo deveria partir da própria polícia. Em muitos casos, para não dizer em todos, numa delegacia, a lei existe somente no papel.
O tratamento dado àquela que busca ajuda policial fica muito aquém do ideal. Em muitas delegacias o que impera, mesmo quando se trata de uma especializada em mulher, é o machismo. A Polícia Militar então nem se fala. Na rua, muitos policiais que atendem casos de violência doméstica, não estão preparados para lidar com a situação.
Todo este despreparo de quem deveria proteger, faz com que muitas fiquem envergonhadas de sequer chamar a polícia ou fazer um registro em uma delegacia e neste caso, quando é feito contato com a segurança pública, o caso já extrapolou.
Mas ao mesmo tempo, que temos esta situação, outro problema leva a esta triste realidade não somente brasileira, mas mundial, a cultura machista perpetuada de, não somente séculos passados, mas eras. Quem não se lembra de histórias da época da caverna, de um homem puxando uma mulher pelos cabelos, tratada meramente como reprodutora e empregada. O que sentia ou pensava pouco importava. E esta concepção no tratamento dado a uma mulher durou por muitos anos. E embora estejamos em século novo, passamos do ano 2000, a tecnologia avançou assustadoramente e que a globalização é uma realidade, ainda temos e muito nesta era uma cultura machista.
Também há de se colocar que muitas mulheres não ajudaram a mudar esta realidade de eras. Para proveito da situação, acabaram cultuando este “sexo frágil” e investindo naquilo que para muitos homens têm mais valor, que seria apenas o físico. Hoje em dia não é raro, encontrar meninos e garotos ainda em formação, com pensamentos machistas. Então, voltando ao assunto lá de cima, será preciso muito mais empenho de todos os setores, desde sociedade, poder público, ONGs e população em geral, para revertemos este quadro. Agora quem quiser ajudar, pode começar na educação que dá aos filhos e filhas, não dando continuidade a esta má cultura.